I Simpósio Nacional de Cadeia de Custódia e Governança Técnica reúne especialistas e reforça padronização da prova digital no MPMS

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O I Simpósio Nacional de Cadeia de Custódia e Governança Técnica, realizado pela Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (ESMP-MS) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS), reuniu membros, servidores e policiais dos laboratórios forenses dos Gaecos e dos Centros de Inteligência do Ministério Público brasileiro, inaugurando um ciclo nacional de debates sobre evidências digitais.

A abertura foi conduzida pela Procuradora de Justiça Ana Lara Camargo de Castro, Coordenadora do Gaeco/MPMS, que destacou os desafios do tratamento da prova digital e a importância da padronização de procedimentos, capacitação contínua e fortalecimento institucional. Ela também relembrou o papel da Escola Nacional do GNCOC na criação de quatro Grupos Técnicos voltados à quesitação, ao armazenamento, à infraestrutura e à capacitação.

Na sequência, o Promotor de Justiça Paulo Guilherme Carolis Lima (Gaeco/MPSP) apresentou as Diretrizes do Grupo Técnico, ressaltando que as novas premissas visam uniformizar métodos, conferir legitimidade e consolidar a atuação técnico-pericial dos laboratórios forenses. Ele reforçou que normas como ISO devem servir de referência, adaptadas às condições de cada unidade, e destacou a necessidade de documentação detalhada para assegurar transparência e enfrentar questionamentos sobre cadeia de custódia e extrações de dados.

A programação prosseguiu com oficina sobre a ISO/IEC 27037:2012, ministrada por Ana Paula Sanches (Nucef/Caex/MPSP) e Sandro Tonini da Silva (Gaeco/MPES). Foram apresentadas diretrizes para identificação, coleta e preservação de evidências digitais, além da integração com outras normas da família ISO. Embora não regulamente a cadeia de custódia, a norma contribui para reduzir os riscos de adulteração e reforça a confiabilidade da prova digital.

Os instrutores também explicaram os papéis do primeiro interventor e do especialista em evidências digitais, relacionando responsabilidades à preservação dos vestígios. Abordaram ainda o diálogo da ISO com o Código de Processo Penal e os riscos da extração parcial de dados, como logs em casos de fraude. Ambos enfatizaram que, embora não obrigatória, a norma fortalece padrões internos e amplia a segurança jurídica das investigações.

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Sandro apresentou o conceito de prontidão forense, defendendo que cada unidade desenvolva fluxos e procedimentos internos alinhados às diretrizes internacionais. Foram expostos os fluxos nacionais construídos pelo grupo técnico, que serão aplicados em exercícios práticos envolvendo identificação de riscos, classificação de ativos e registro das etapas do processo.

Ao final, reforçou-se que a padronização, a documentação rigorosa e as metodologias coletivas são fundamentais para garantir a validade e a credibilidade das evidências digitais, consolidando uma cultura institucional de excelência técnica nos Gaecos e demais unidades do Ministério Público.

No período vespertino, o curso prosseguiu com a oficina “Coleta de Vestígios Digitais: Boas Práticas Forenses na Busca e Apreensão”, conduzida por Paulo Henrique da Silva Leite, chefe da CetFor/Gaeco-MPMS, e por Filipe de Freitas Maciel Rezende, Analista de Informação e Tecnologia do mesmo setor. Ambos, com experiência prévia na Polícia Científica, apresentaram um panorama técnico das etapas de coleta, preservação e documentação de provas digitais.

Os palestrantes explicaram que a norma ISO orienta princípios e boas práticas, mas não impõe um método único — cada instituição deve desenvolver procedimentos próprios, adequados à sua realidade operacional, desde que preservem a integridade da prova. Eles destacaram que o MPMS estruturou uma diretriz de coleta específica para dispositivos móveis, especialmente úteis em investigações envolvendo aplicativos de mensagens, onde se concentram vestígios essenciais de atividades criminosas.

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Entre os desafios apresentados, Paulo Henrique e Filipe abordaram:

• Novas barreiras de segurança em dispositivos iOS, que dificultam a comunicação com ferramentas de extração e exigem soluções técnicas próprias desenvolvidas pelo MPMS.

• Mudanças no sistema de backup de aplicativo de conversa, agora baseado em registros incrementais, o que altera a forma de obtenção e análise dos dados.

• Risco de perda de evidências voláteis, como mensagens com autodestruição automática ou dispositivos que saem do modo avião por toque acidental, podendo sincronizar dados e modificar vestígios.

• Aparelhos sem senha conhecida ou com bloqueios adicionais, especialmente em Androids mais recentes, que requerem decisões técnicas justificadas e alinhadas à governança institucional.

Filipe detalhou ainda como o MPMS mapeia pontos da cidade com possíveis infraestruturas de rede, planeja a distribuição das equipes e investiga padrões de comportamento dos alvos para auxiliar na quebra de senhas. Isso inclui a busca por anotações no local da apreensão, análise de preferências pessoais, datas relevantes, atividades em redes sociais e geração de wordlists otimizadas.

Os instrutores também apresentaram os equipamentos e softwares utilizados. Por fim, os palestrantes reforçaram que todas as ações devem ser documentadas, transparentes e tecnicamente defensáveis, por meio de notas técnicas que registram etapas, justificativas, ferramentas utilizadas e garantias de integridade dos dados.

Encerraram destacando que a constante atualização de métodos e a capacitação das equipes são fundamentais para manter a cadeia de custódia digital robusta diante de um cenário tecnológico em rápida transformação.

Texto: Leticia Ferreira e Danielle Valentim
Foto: Print
Revisão: Fabrício Judson

Fonte: Ministério Publico MS

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