O Projeto “Fortalecer para Cuidar” encerrou a primeira fase de atividades, nesta quinta-feira (3), com a realização da terceira escuta ativa, desta vez, no CRAS Indígena Ñandejara, da Aldeia Te’yikue, em Caarapó. Com a participação das comunidades das regiões Ñandejara e Saverá, a ação reuniu mais de 130 pessoas.
Com foco na escuta qualificada das mulheres indígenas, a iniciativa da Promotora de Justiça Fernanda Rottili Dias, promoveu diálogo sobre enfrentamento à violência doméstica e fortalecimento da rede de proteção.
Nesta quinta-feira, o evento contou com a presença da Prefeita Municipal de Caarapó, Maria Lurdes Portugal, da Coordenadora do CRAS Indígena, Luciene Cavalheiri Vieira, da Defensora Pública Karina Figueiredo de Freitas, e da Secretária Municipal de Assistência Social, Katia Regina Murakami Baratelli.
Durante os encontros, foram realizadas palestras e rodas de conversa conduzidas por profissionais da rede de atendimento. A psicóloga Araíndia Pires abordou, em Guarani, o tema da violência doméstica, promovendo uma escuta sensível e acessível às mulheres presentes.
Em seguida, a indígena Renata Castelão compartilhou informações sobre o projeto da Casa de Culturas que será implantado na reserva, reforçando a importância do fortalecimento da identidade cultural como ferramenta de proteção e autonomia.
Escuta qualificada
As mulheres presentes relataram diversos desafios enfrentados no contexto da violência doméstica, como ameaças de ex-companheiros, ausência de fiscalização das medidas protetivas, consumo abusivo de álcool e drogas nas aldeias, e a falta de atendimento adequado por parte dos órgãos de proteção, incluindo a ausência de intérpretes e de atuação efetiva do Conselho Tutelar.
Dúvidas sobre pensão alimentícia e os procedimentos para denúncia também foram esclarecidas pelas autoridades presentes.
O Capitão da Reserva Indígena Te’yikue, Anisio da Silva, destacou a necessidade de orientação para os homens da comunidade e reforçou o pedido de maior presença do Conselho Tutelar na região.
A Defensora Pública e Sesai também contribuíram com esclarecimentos sobre direitos, saúde mental e medidas de proteção.
O encontro foi encerrado com sorteio de cobertores doados para as mulheres indígenas, entrega de camisetas para os integrantes do projeto, lanche e momento de confraternização. Roupas, calçados e outros itens arrecadados foram deixados no CRAS Indígena para posterior distribuição às famílias.
“Em todas as edições, o foco foi ouvir, orientar e fortalecer as mulheres indígenas no enfrentamento à violência doméstica, promovendo o diálogo entre comunidades e instituições. Como próximo passo, será promovido um encontro voltado aos homens indígenas, com o objetivo de ampliar a sensibilização e o compromisso com a construção de relações mais justas e seguras dentro das comunidades”, pontua a Promotora de Justiça.
Com esta terceira escuta, o Projeto “Fortalecer para Cuidar” finaliza sua primeira fase de atividades. A iniciativa contou com três encontros ao longo de junho e julho:
1ª escuta ativa: Escola Região Loide – 04 de junho de 2025 – mais de 60 mulheres
2ª escuta ativa: Escola Bocajá – 12 de junho de 2025 – cerca de 50 mulheres
3ª escuta ativa: CRAS Indígena – 03 de julho de 2025 – cerca de 130 pessoas
O Projeto “Fortalecer para Cuidar” reafirma, com essa primeira etapa concluída, seu compromisso no combate à violência doméstica e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres indígenas.
Também participaram representantes da Comissão da Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, da Secretaria Municipal de Educação, Sesai, Creas, Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Civil, bem como profissionais técnicos da rede de apoio e agentes comunitários de saúde.
Texto: Danielle Valentim
Foto: Decom
Fonte: Ministério Publico MS






















