Em uma tarde marcada por emoção, compromisso e apelos contundentes, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) lançou oficialmente, nesta quarta-feira (3), a Campanha de Combate à Violência Infantil, no auditório das Promotorias de Justiça em Campo Grande. O evento reuniu autoridades, representantes de instituições parceiras e membros da sociedade civil com o objetivo de mobilizar esforços coletivos para enfrentar um dos problemas mais graves e silenciosos que afetam a infância brasileira.
O Promotor de Justiça Oscar de Almeida Bessa Filho abriu o encontro com um discurso firme e reflexivo. “Somos uma das poucas instituições – se não a única – com a prerrogativa de dialogar, em nome da sociedade, com Estado, buscando soluções concretas e eficazes. É urgente construir estratégias e orientar políticas públicas para o combate efetivo à violência infantil. Isso significa fortalecer as políticas sociais que amparam famílias em situação de vulnerabilidade”.
A Secretária Municipal de Saúde de Campo Grande, Rosana Leite de Melo, destacou a importância da capacitação dos profissionais da rede pública. “A violência contra crianças tem aumentado drasticamente. Precisamos orientar e capacitar nossos servidores, especialmente os agentes comunitários de saúde, que têm acesso direto às residências. A comunicação entre saúde, assistência e educação é essencial para mitigar essas atrocidades. Nenhuma pessoa merece qualquer tipo de violência, seja física ou verbal.”
A Superintendente de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania, Tereza Cristina Miglioli Bauermeister, trouxe um olhar técnico e sensível sobre o acolhimento institucional. “A criança fala com o corpinho. Por isso, é fundamental que os profissionais estejam preparados para observar sinais sutis de sofrimento. Nossas unidades recebem crianças e adolescentes já fragilizados por demandas judiciais. O acolhimento precisa ser respeitoso, protetivo e integral. A residência temporária deve ser um espaço seguro, com acesso à saúde, educação e afeto.”
O médico pediatra e Diretor Técnico do Pronto Atendimento Infantil (PAI), Marcus Vinicius da Cruz de Mendonça, foi o palestrante convidado. Ele explicou as diferenças entre violência física, psicológica, sexual e negligência, detalhando como esses tipos de agressão podem ser percebidos em crianças e adolescentes. “É importante termos o cuidado de observar e ouvir, porque quando as histórias não batem, a chance de termos algum caso de violência é grande”, afirmou.
A campanha lançada pelo MPMS é atemporal e visa não apenas sensibilizar a população, mas também articular uma rede efetiva de proteção, envolvendo conselhos tutelares, escolas, unidades de saúde, assistência social e o sistema de justiça. A instituição reforça que a presença da imprensa e o engajamento da sociedade são fundamentais para ampliar a visibilidade da causa. A meta é clara: transformar cuidado em ação e garantir que nenhuma criança seja deixada à mercê da violência.
O Promotor de Justiça Oscar de Almeida Bessa Filho encerrou o evento com uma mensagem que emocionou os presentes: “A rede de proteção não é apenas um conjunto de instituições — é um pacto de humanidade. Cada criança que conseguimos proteger é uma vida que se transforma. É quando o sistema funciona, não apenas a lei que se cumpre. É a esperança que se renova. Que nunca nos falte coragem para agir, nem sensibilidade, senhoras e senhores, para ouvir o silêncio das vítimas. Vamos juntos, porque é na união de esforços que podemos fazer muito pela infância do nosso Estado”.
Texto: Karla Tatiane
Fotos: Decom / MPMS
Fonte: Ministério Publico MS






















