Segundo o MPMS, 83% dos exames e consultas pagos pelo município entre 2022 e 2025 teriam sido simulados pelo grupo criminoso

Esquema de consultas fantasma teria causado prejuízo de mais de R$ 4 milhões em Nioaque

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O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou, nesta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação “Auditus”, que investiga um esquema de fraudes envolvendo serviços médicos contratados pela Prefeitura de Nioaque, a cerca de 180 quilômetros de Campo Grande.

Segundo o MPMS, 83% dos exames e consultas pagos pelo município entre 2022 e 2025 teriam sido simulados pelo grupo criminoso, gerando um prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos.

A operação é realizada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) e pela 1ª Promotoria de Justiça de Nioaque. Ao todo, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em Nioaque, Bonito, Jardim, Bela Vista e Guia Lopes da Laguna.

De acordo com o MPMS, a investigação começou com suspeitas de fraudes em licitações para a contratação de uma empresa responsável pela prestação de serviços de especialidades médicas, incluindo consultas, exames e procedimentos.

Após a análise do material apreendido na primeira fase da operação, realizada em julho de 2025, e de novas diligências, os investigadores identificaram um esquema estruturado para direcionar contratações, registrar serviços médicos que não teriam sido realizados e desviar dinheiro público.

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Ainda conforme a investigação, o esquema contava com a participação de agentes públicos e privados e envolvia o pagamento sistemático de vantagens indevidas.

Gasto com exames disparou 1.713%

Um dos dados que chamaram a atenção dos investigadores foi o aumento de 1.713% nos gastos com os serviços médicos durante o período em que as contratações sob suspeita ocorreram, entre 2022 e 2025.

Além das fraudes já identificadas, os elementos reunidos durante a investigação indicam que o grupo estaria tentando expandir o esquema para outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Exames auditivos deram nome à operação

O nome “Auditus” vem do latim e significa “audição”. Segundo o MPMS, a escolha faz referência ao início do esquema, quando exames auditivos teriam sido simulados como uma das formas utilizadas para desviar recursos públicos.

A segunda fase da operação busca aprofundar as investigações, reunir novas provas e identificar todos os envolvidos no esquema.

 

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