O vereador Landmark Rios (PT), vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento e relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Campo Grande, cobrou nesta segunda-feira (18) uma rediscussão dos repasses estaduais destinados à Capital. A fala foi feita durante reunião no gabinete da prefeita Adriane Lopes (PP) com 17 vereadores, e posteriormente reforçada pelo parlamentar em conversa com a imprensa.
Segundo Landmark, Campo Grande não pode continuar dependendo apenas de repasses pontuais enquanto concentra serviços, atendimentos e demandas de todo Mato Grosso do Sul.
“Campo Grande não pode viver de esmolas do Estado. A Capital acolhe todos os municípios, recebe pacientes do Estado inteiro e precisa ser tratada de forma diferente”, afirmou o vereador.
Durante a reunião, Landmark disse ter levado diretamente à prefeita e aos vereadores da base governista preocupação com a queda de arrecadação e os impactos relacionados ao ICMS, Fundersul e FIS.
“Falei da minha preocupação de como Campo Grande está sendo tratada em relação ao ICMS, ao FIS e ao Fundersul. Quando falamos de Fundersul, estamos falando também das estradas dos assentamentos e da produção rural no entorno da cidade. Quando falamos do FIS, estamos falando das entidades do terceiro setor que fazem trabalho brilhante e hoje precisam fazer pastelada para pagar conta de água e luz”, declarou.
Saúde pressionada e hospitais lotados
O vereador também relacionou a situação financeira da Capital à sobrecarga enfrentada pela saúde pública de Campo Grande, especialmente durante o período de frio e aumento de síndromes respiratórias.
Segundo ele, os hospitais da cidade seguem absorvendo pacientes de todos os municípios do Estado sem que os repasses acompanhem essa demanda.
“Os leitos estão lotados, a Santa Casa cheia, o Hospital Regional cheio, as UPAs cheias. Campo Grande atende o Mato Grosso do Sul inteiro e isso impacta diretamente o orçamento da saúde”, afirmou.
Landmark disse ainda que tem buscado apoio da bancada federal para ampliar recursos destinados à Capital, especialmente no MAC (Média e Alta Complexidade), utilizado para custear atendimentos especializados do SUS.
“Tenho feito esforço junto à bancada federal e ao Governo Federal para garantir recursos que estão em dia com Campo Grande, mas precisamos melhorar a política do MAC para suportar a demanda que a Capital recebe”, pontuou.
Preocupação com orçamento e concursos públicos
Como relator da LDO 2027, o vereador afirmou que acompanha com preocupação a situação fiscal do município e o impacto do crescimento da folha salarial nas contas públicas.
Segundo ele, o índice próximo de 54% de comprometimento da receita com pessoal dificulta a realização de novos concursos públicos e compromete áreas essenciais.
“Existe um crescimento vegetativo da folha que está impactando seriamente a capacidade do município de realizar concursos e ampliar serviços. Como vamos chamar novos servidores para saúde, educação e assistência social com a folha chegando perto de 54%?”, questionou.
Diálogo institucional
De acordo com Landmark, a própria prefeita reconheceu durante a reunião a necessidade de ampliar o diálogo institucional com o Governo do Estado sobre os repasses destinados à Capital.
“A prefeita concordou que precisamos de uma conversa mais ampla com o Governo do Estado, vereadores e deputados que têm interesse em Campo Grande. Todo mundo vem buscar voto aqui, mas a Capital precisa de compromisso permanente”, afirmou.
Apesar da reunião institucional, o parlamentar destacou que manteve postura crítica em relação aos problemas enfrentados pela cidade.
“Participei da reunião, dialoguei, mas mantive minha posição firme de oposição à prefeita e de defesa dos interesses da população de Campo Grande”, concluiu.





















