Feira do Artesão Livre transforma trabalho prisional em dignidade e recomeços em Campo Grande

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A 23ª edição da Feira do Artesão Livre, realizada em Campo Grande em alusão ao Dia das Mães, vai além da exposição de peças artesanais. O evento revela histórias de transformação construídas dentro dos presídios e reforça o trabalho como instrumento de dignidade, renda e reintegração social. No lançamento da feira, autoridades, educadores e representantes da Justiça destacaram o impacto humano da iniciativa.

Vice-presidente do Conselho Penitenciário Estadual, a advogada Silmara Félix ressaltou que o projeto cumpre um papel essencial na ressocialização das pessoas privadas de liberdade. “O trabalho insere o interno novamente na sociedade, aproxima das famílias e possibilita que ele saia do presídio com uma profissão. Também gera renda para as famílias e fortalece o desejo de recomeçar fora do cárcere”, afirmou.

O Juiz José Henrique Kaster Franco destacou a importância de reconhecer quem aposta na reconstrução de vidas. “Eu venho porque acredito no trabalho de quem acredita nas pessoas que estão presas. Há muitos esforços para levar dignidade e oportunidade de futuro, e incentivar isso é reconhecer quem luta por um mundo melhor, dentro e fora dos presídios”, declarou.

Diretora do Presídio Feminino de Rio Brilhante, Josecley Cristina Tasca enfatizou os reflexos positivos do trabalho no cotidiano das internas. “A feira dá dignidade e ocupação. Mostra à sociedade que o presídio também é espaço de ressocialização. O trabalho melhora o comportamento e a disciplina, porque elas remem a pena e não querem perder essa oportunidade. Os trabalhos falam por si”, pontuou.

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Com 42 anos de atuação no sistema prisional, a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, destacou que a feira representa uma longa trajetória de luta pela reintegração social. “Esse processo passa pela educação, cursos técnicos e pelo tratamento penal. Com o apoio do MPMS e de outros parceiros, mostramos que essas pessoas apenas perderam o direito de ir e vir, mas aprendem, se transformam e sairão cidadãos melhores”, afirmou.

À frente da Feira do Artesão Livre há 12 anos, a Promotora de Justiça Jiskia Sandri Trentin, da 50ª Promotoria de Justiça, falou sobre o valor social da iniciativa. “A feira cria oportunidades. Pode ser ou não o ofício do futuro, mas é um passo para aprender, ter foco, disciplina e entender o valor do esforço. A sociedade se surpreende ao descobrir que essas peças foram feitas dentro de um presídio. Chegar à 23ª edição é uma grande realização”, disse.

Para a educadora social Alice Terezinha, o evento simboliza esperança. “Sou apaixonada por esse trabalho. Saber que pessoas privadas de liberdade podem produzir algo útil é maravilhoso. Isso pode ser um novo começo. Gostaria que as autoras das peças pudessem ver o quanto seu trabalho agrada e entender o valor disso para suas vidas”, refletiu.

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Participam desta edição da feira aproximadamente 70 pessoas privadas de liberdade, entre homens e mulheres, integrantes de projetos de ressocialização dos estabelecimentos penais Feminino de São Gabriel do Oeste, Feminino de Rio Brilhante, Feminino Irmã Irma Zorzi e Jair Ferreira de Carvalho; Instituto Penal de Campo Grande, Presídio de Trânsito de Campo Grande, Centro de Triagem Anísio Lima e Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II. Ao todo, estão à venda cerca de 300 peças artesanais.

Ao unir artesanato, inclusão social e aproximação com a comunidade, a Feira do Artesão Livre reafirma que a ressocialização é possível quando há oportunidade, apoio e olhar humano — especialmente em uma data simbólica como o Dia das Mães.

Serviço:

Evento: 23ª Feira do Artesão Livre – Dia das Mães
Data: 5, 6 e 7 de maio
Local: Átrio do Fórum “Heitor Medeiros”, Campo Grande
Horário: 13h às 17h

Fonte: Ministério Publico MS

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