A Quarta-Feira de Cinzas aponta desde já um histórico Real Madrid x Paris Saint-Germain no retorno da Liga dos Campeões. O confronto entre o atual bicampeão e um forte candidato ao título inédito coloca frente a frente dois esquadrões, liderados tecnicamente por duas das grandes estrelas do futebol, Cristiano Ronaldo e Neymar. Os dois sabem muito bem o que também pode estar em jogo: o prêmio de melhor do mundo.

Sempre que Messi ou Cristiano Ronaldo ganharam a Champions, foram eleitos os melhores do mundo. Quando nenhum deles a levou, ficou à frente aquele com melhor desempenho no principal torneio de clubes – até mesmo em anos de Copa, como 2010 e 2014. Portanto, eliminar o Real nas oitavas de final seria um importante passo para Neymar acabar com a dinastia de uma década da dupla.

– Neymar será o melhor do mundo, com certeza. E será aqui – disse o técnico do PSG, Unai Emery.

O Real não cai tão cedo na Liga dos Campeões desde 2010. Como foi eliminado na Copa do Rei para o Leganés e está muito distante do Barcelona no Espanhol, não restariam mais taças importantes na temporada. Cristiano Ronaldo, logicamente, ficaria longe da sua sexta Bola de Ouro. Por isso, todas as fichas estão neste duelo.

– Os índices de concentração são maiores quando os jogos são mais difíceis, e é isso que a equipe tem feito desde que estou no Real Madrid. Encaramos sempre os jogos nesta fase com mais atenção, o que demonstra o grande time que somos – afirmou o camisa 7.

O mesmo raciocínio vale para o outro lado. O PSG não esconde de ninguém que a Champions vai definir o carimbo de sucesso ou fracasso na temporada, uma vez que a concorrência doméstica ficou desleal com tanto investimento – embora, ainda sem Neymar e já sem Ibrahimovic, o clube tenha perdido o título francês para o Monaco na temporada passada.

– Mais ansioso impossível. Nós jogadores nos preparamos para esse tipo de jogo. Quero que chegue logo o dia porque, além de jogar contra jogadores de muita qualidade, trata-se de uma equipe muito grande é como o Real Madrid. Vamos respeitá-los, encará-los da melhor forma possível e, claro, tentar vencer – resumiu Neymar.

Na corrida entre os dois em 2017/18, o brasileiro leva pequena vantagem: marcou 28 gols e deu 14 assistências em 27 jogos. O português soma 23 gols e cinco assistências, mas ganhou os títulos da Supercopa da Europa, Espanha e do Mundial de Clubes. Neymar tem o Francês muito bem encaminhado e segue vivo nas Copas da Liga Francesa e da França (são dois torneios diferentes).

O que nos traz de volta ao ponto inicial. Levar a Champions pode ser determinante… Ou a Copa do Mundo. Neste caso, o que seria mais vantajoso para o Brasil? Um Neymar motivado pelo título europeu ou descansado?

– É uma pergunta difícil de responder. Se ele for eliminado agora para o Real vai viver dois ou três meses de uma supercobrança na França. Ao mesmo tempo, pode chegar desgastado se jogar todas. Mas mesmo assim eu prefiro a segunda opção, pois chegaria feliz, com a competição na cabeça – opinou Juninho Pernambucano.

– Acho que chegar nas finais. Se possível ser campeão. Isso ia dar uma motivação muito grande para o Neymar. O cansaço some – afirmou Walter Casagrande.

O histórico, porém, mostra como a Liga dos Campeões influencia negativamente na Copa. Em 2014, Cristiano Ronaldo chegou baleado ao Brasil após o título com o Real Madrid e fez um torneio decepcionante.

Quatro anos antes, Messi foi até a semi da Champions e não marcou um gol sequer na África do Sul. Em 2002, o exemplo foi Zidane, lesionado e eliminado na primeira fase com a França. Em 2006, Ronaldinho decepcionou após brilhar com o Barcelona.

– Ronaldinho não apresentou tanto desgaste quando a gente fez a avaliação na Suíça, mas pelo que apresentou na Copa a gente viu como estava relativamente desgastado. Outra coisa que pesou muito foi a responsabilidade em cima dele, pelo fato de ter sido eleito o melhor do mundo e ter que mostrar isso numa Copa, como aconteceu com o Ronaldo em 1998 também – lembrou Moraci Sant’anna, preparador físico da Seleção em 2006.

A apresentação da seleção brasileira para a Copa está prevista para 21 de maio. A final da Champions, porém, acontecerá no dia 26. Quem chegar à decisão perderá uma semana de preparação.

– É um dilema que não dá para responder. Primeiro porque você está competindo até o fim, mas que pode estar pressionado de forma excessiva. Segundo, estar fora, mas estar num nível mais abaixo. Os atletas estão com a cabeça deles voltada para o Mundial, e isso é uma preocupação dos clubes também. Não só nós brasileiros, os outros todos também – opinou o técnico Tite.

O final dessa história a gente ainda não conhece. Mas muito do que pode acontecer em 2018 passa por este duelo. PSG contra Real, Neymar contra Cristiano. A partir de quarta-feira, em Madri.